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Exploring U-M’s Opportunities Around the World

 

Escrita por: Fernanda Pires | Fotos por: Denise Guimarães

Melhorando os cuidados com a saúde bucal: estudantes de odontologia da U-M aprendem sobre anomalias craniofaciais em experiência internacional imersiva no Brasil

Os alunos da U-M aprendem sobre o caso de Arthur.

Os alunos da U-M aprendem sobre o caso de Arthur.

Arthur nasceu prematuro, aos seis meses e meio, com fissura labiopalatina extensa.

Arthur nasceu prematuro, aos seis meses e meio, com fissura labiopalatina extensa.

Bauru, Brasil—Arthur chega para mais uma consulta e senta rapidamente na cadeira odontológica, uma conhecida de longa data. Durante o check up, a dentista brinca e faz suspense. Mas logo, o sorriso dela denuncia: o pequeno paciente continua sem nenhuma cárie, algo bastante raro para quem nasceu prematuro, com fissura labiopalatina extensa e precisava ganhar peso rápido.

A equipe pediátrica do Centrinho, o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, parabeniza o pequeno Arthur, que comemora com a mãe e com os estudantes da Universidade de Michigan, que visitam o centro de referência.

“Ele nasceu com 6 meses e meio. Tinha 32 cm e 500 gramas. Então para ganhar peso, acabou ingerindo muitas calorias e açúcar,” disse a mãe Maria da Conceição Rocha. “Mas nunca descuidei dos dentinhos dele.”

Os alunos da U-M visitam o campus de Bauru, da Universidade de São Paulo.

Os alunos da U-M visitam o campus de Bauru, da Universidade de São Paulo.

Com 50 anos de fundação, o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP) é considerado centro de referência mundial no tratamento das anomalias craniofaciais congênitas, principalmente a fissura labiopalatina (FLP), ou seja aberturas na região do lábio e/ou palato. No Brasil, uma a cada 650 crianças nasce com fissura labiopalatina. Mundialmente, uma a cada mil crianças.

Ampliar as oportunidades educacionais e visão da odontologia mundial é o objetivo do programa Global Initiatives in Oral and Craniofacial Health, da U-M, que desde 2012, envia os estudantes da Faculdade de Odontologia para países selecionados para trabalhar, treinar e aprender com dentistas, médicos e pacientes locais.

Neha Vazirani

Neha Vazirani

“O acesso aos tratamentos é praticamente o mesmo no Brasil, como nos EUA ou na Índia.”

“Queremos melhorar a saúde bucal global e promover a igualdade por meio de pesquisa, educação e serviços,” disse Cristiane Squarize, professora do Departamento de Periodontia e Medicina Oral e uma das coordenadoras do programa. “Esta parceria é muito importante porque se trata de um intercâmbio entre faculdades de odontologia de prestígio internacional, a Faculdade de Odontologia da UM e a FOB-USP.”

Este ano, durante duas semanas, os estudantes norte-americanos foram observadores participantes da FOB-USP, uma das melhores escolas de odontologia do Brasil e parceira da U-M desde 2012.

“A possibilidade de atender às necessidades de uma comunidade global acaba sendo melhor se usarmos os recursos físicos e humanos das duas universidades,” disse Guilherme Janson, vice-diretor da Faculdade de Odontologia de Bauru e da Universidade de São Paulo.

Neha Vazirani, uma das estudantes da U-M que visitaram Bauru, nasceu na Índia, se formou dentista em Mumbai e concluiu um programa de mestrado em saúde pública na Universidade de Tulane. Agora, ela está agora em seu terceiro ano de odontologia na U-M.

“O acesso aos tratamentos é praticamente o mesmo no Brasil, como nos EUA ou na Índia”, disse ela. “Mas a forma como os procedimentos são feitos é muito diferente. É um privilégio poder ter uma compreensão global da odontologia e conhecer o tratamento integrado oferecido a pacientes de todo o Brasil.”

Grande história de sucesso, grande oportunidade de aprendizado

Arthur após sua primeira cirurgia.

Arthur após sua primeira cirurgia.

Com apenas cinco anos, Arthur já passou por cinco cirurgias para corrigir a fissura labiopalatina, chamada popularmente de lábio leporino. Mas a primeira, que geralmente é feita aos três meses de idade, só aconteceu quando ele tinha dois anos devido ao baixo peso.

“O Arthur é um caso de sucesso, por isso é importante vocês entenderem seu tratamento,” disse a odontopediatra Gisele Dalben, aos estudantes norte-americanos. “A mãe inclusive conseguiu amamentá-lo e depois seguiu à risca nossas orientações, o que tem facilitado bastante o tratamento.”

Rocha confirma sua dedicação e, como mora perto do Centrinho, traz Arthur todo mês para fazer limpeza nos dentes.

“Já somos parte dessa família,” brinca. “Nossa meta é evitar qualquer cárie, para facilitar o tratamento.”

Arthur faz limpeza dental mensalmente.

Arthur faz limpeza dental mensalmente.

Mythili Bhat

Mythili RamaBhat

A aluna do programa Internationally Trained Dentist (ITDP), da Escola de Odontologia da U-M, Mythili Ramakrishna Bhat, acompanha o caso de Arthur com entusiasmo. Ela sabe da complexidade do tratamento, do trabalho interdisciplinar necessário e do longo processo de reabilitação integral.

“Estamos acompanhando como os dentistas, médicos, fonoaudiólogos, as clínicas locais e até as distantes coordenam os cuidados para obter o melhor resultado possível,” disse Bhat. “É um grande aprendizado.”

ESTUDANTES DE ODONTOLOGIA

Próteses de palato e mais interdisciplinaridade

Prótese palatina especial.

Prótese palatina especial.

Paciente faz o ajuste da prótese.

Paciente faz o ajuste da prótese.

A ortodontista Mônica Moraes Lopes e a fonoaudióloga Maria Daniela Borro Pinto mostram três casos de pacientes que nasceram com malformações no céu da boca, ou seja fissuras labiopalatais, e precisam da prótese de palato para corrigir problemas de fala. Eles são Kelvin Callisaya, de 17 anos, Laura Farali, de 10 e Regina Pereira, de 42 anos. Nenhum dos três pode passar por cirurgias, então receberam as próteses.

A prótese corrige a disfunção velofaríngea, que atinge uma válvula muscular situada entre o nariz e a boca. Sua função é a de controlar a passagem do ar. “Esse problema prejudica a fala de tal maneira que a pessoa atingida não consegue se comunicar normalmente,” explica a fono Borro Pinto. “Se não tratado, o paciente pode sofrer um impacto psicológico negativo e até mesmo se afastar socialmente.”

As consequências podem ir além, segundo estudos da equipe do Centrinho, que desenvolveu a prótese especial. A angústia de ser incompreendido e de não conseguir se expressar pode reprimir a criatividade e até a capacidade de aprender.

Estudantes de U-M no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais.

Estudantes de U-M no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais.

Vazirani, a estudante de Michigan, quer se especializar em ortodontia e ficou fascinada pelas clínicas de fonoaudiologia e de prótese, onde são fabricadas as próteses bucais, dos ouvidos e também do nariz e olhos.

Paciente faz o ajuste da prótese.

Paciente faz o ajuste da prótese.

Paciente faz o ajuste da prótese.

Paciente faz o ajuste da prótese.

“Essas clínicas são uma experiência nova para mim,” disse. “As professoras explicaram como funcionam as estruturas fonoarticulatórias nos pacientes usando essas próteses e pudemos ver os resultados nos testes na clínica.”

Chefe da Divisão de Odontologia, a professora Rita de Cássia Lauris, também enfatiza a importância da interdisciplinaridade para o sucesso do tratamento de reabilitação, que engloba mastigação, fala, respiração e estética.

“Aqui, um ortodontista, por exemplo, não vive sem o cirurgião plástico, sem a fonoaudióloga ou a fisioterapeuta.” disse Lauris. “Também não alcançamos o sucesso esperado se não trabalharmos com os psicólogos.”

“Os pacientes aqui não querem ficar mais bonitos,” acrescenta Lauris. “Eles querem se encaixar, querem ser iguais a seus parceiros e não chamarem atenção.”

CRIANDO PRÓTESES PALATAIS

Odontologia restauradora

Tamara Mackie

Tamara Mackie

Os procedimentos mais corriqueiros da clínica de dentística também chamam a atenção dos estudantes norte-americanos. São 50 futuros dentistas do quarto ano da USP trabalhando em duplas, nos mais diferentes tipos de tratamento, desde os básicos, como cálculo e profilaxia, até os mais complexos, como implantes e cirurgias.

“É muito bacana ver os estudantes trabalhando em duplas e ajudando um ao outro,” disse Tamara Mackie, estudante do quarto ano na U-M, que quer se especializar em Ortodontia. “Aqui eles usam diferentes tipos de compósitos. São bastante precisos e sensíveis à técnica, e muito atentos à estética.”

Ehsan Mostaghni

Ehsan Mostaghni

“Este programa ofereceu uma oportunidade maravilhosa de eu me familiarizar com uma das melhores escolas de odontologia do Brasil”, disse o estudante da U-M Ehsan Mostaghni. “Proporcionou uma chance de melhorar meus conhecimentos e habilidades em cuidados colaborativos e educação inter profissional”.

Mais do que aprender sobre a educação interdisciplinar da USP e o processo de reabilitação integral que o Centrinho oferece, Rocha, a mãe de Arthur, espera que os estudantes da U-M possam levar com eles, algo ainda mais precioso.

“O lado emocional conta muito durante todo o processo,” disse Rocha. “Espero que os futuros profissionais de Michigan possam compreender a importância da odontologia humanizada para que outros pacientes como o Arthur possam finalizar seus tratamentos com sucesso.”

 

Saiba mais: 

Faculdade de Odontologia: Iniciativas Globais

Esta viagem foi co-patrocinada pelo International College of Dentistry: http://www.usa-icd.org/